Casar ou não casar, eis a questão

Em primeiro lugar deve-se entender que o casamento é uma instituição que visa manter a estabilidade do casal para criar filhos. Segundo a filosofia espartana filhos é uma necessidade para as elites da sociedade para manutenção da mão-de-obra. Daí a necessidade do casamento ser amarrado por uma série de leis. Repare que para muitas religiões é um sacramento indissolúvel. São duas pessoas de sexos diferentes que vão ser incubadeiras e promotoras da formação da mão-de-obra que é uma peça fundamental para a acumulação do capital. É por isso que foi indissolúvel por muito tempo e só, com muito custo, se admitiu o divórcio. Sei que você, se ainda está preso a um biologismo primário e pseudo-científico inspirado em Tomás de Aquino, (leia os princípios fundamentais da tradição espartana neste site) acredita que fazer filhos é um instinto natural e você nasceu diferente dos outros. Não é verdade. No homem não existe instintos como nos animais. Nós não temos estro. Logo a reprodução, estritamente sob o ponto de vista biológico, não é obrigatória nem maioritária. Seria ocasional. Sendo ocasional ficaria fluida e desorganizada. Entretanto para as elites, da maioria das sociedades essa forma natural de reprodução ocasional da espécie seria contraproducente. Elas precisam de uma abundante mão-de-obra de reserva para garantir a acumulação do capital. Por isso obrigam o sexo reprodutivo criando a homofobia e o casamento para garantir a formação dessa mão-de-obra abundante.

E o que pessoas que se relacionam com o mesmo sexo têm a ver com isso?

Inicialmente, nada.

Como o sexo entre pessoas do mesmo sexo não gera crianças, o casamento, na sua essência, perde a razão de ser.

Uma outra dificuldade é que o casamento civil é um controle do Estado sobre o que se convencionou chamar de amor. Os anarquistas, por exemplo, no final do século XIX se insurgiram contra o casamento advogando o amor livre porque não admitiam que o Estado controlasse os sentimentos das pessoas. Viver-se-ia junto de alguém até quando o amor vigorasse.

Para os espartanos o que os anarquistas diziam é verdade.

Por outro lado os espartanos não querem macaquear a relação existente entre homens e mulheres que sabemos ser uma relação forçada e falida vivendo de aparências, em geral, em torno de bens comuns.

Existe, na tradição espartana, a preocupação de estabelecer uma nova gramática de relacionamentos.

Primeiro acabar com a noção de que se precisa ter um relacionamento para se ser feliz. Isso é muito divulgado pela ideologia pró-casal nas nossas sociedades porque precisa de casais estáveis para criar a mão-de-obra. Bem, aí você pode me falar do amor. Muito bem. Mas nós devemos ser treinados para vivermos como lobos solitários. O solitário aí, entenda, é em uma alcatéia de espartanos.

Entretanto não se descarta a possibilidade de um relacionamento. Só que nunca deve imitar a relação de homens e mulheres. São dois guerreiros que se unem para lutarem juntos e praticarem o apoio mútuo. Me permitam um modelo ancestral como Batman e Robin, por exemplo. Está no imaginário da juventude, descrito por vários e vários contos de aventuras, muitos deles inspirados na realidade, um herói e seu ajudante. A relação de dois espartanos deve ser essa e, como sempre foi na história da humanidade, com sexo entre eles. Passou para as histórias de aventuras, sem o sexo; mas a realidade histórica é que havia sexo na maioria das parcerias masculinas ou amor platônico. No DVD do filme Alexandre, quando é explicado como se fez o filme, fala-se da relação amorosa entre os gregos e mostra que a meta e a razão de ser é um querer o bem do outro. Confira.

Entretanto não é possível pagarmos os mesmos impostos e não termos os mesmos direitos dos outros. Existem casos nos quais o casamento ou parceria civil ou que outro nome derem, torna-se um recurso para resolver alguns problemas. Direito a herança, pensão etc. Outra situação que um casamento resolveria é, por exemplo, quando o interesse de uma pessoa volta-se para um estrangeiro do mesmo sexo. O casamento garante a permanência do outro. Só nesses casos é que o casamento tem sentido. Mas espere aí. Se você, mesmo espartano, gostaria de curtir um casamento com o seu companheiro deve ter o direito de fazê-lo. Entretanto o que o faz diferente é que você, sendo espartano, tem uma relação com o outro semelhante a Batman e Robin e sabe que não são leis ou rituais macacequeados desses casais de sexos diferentes, que vivem se atormentando ou fingindo o tempo todo, que vai lhe garantir a felicidade. Sabe também que sua forma de relacionamento erótico é superior e sua relação com um parceiro fixo, quando ocorre, também. Cabe a você se construir como um ser superior e fazer do seu relacionamento, inspirado nos que os grandes guerreiros tiveram, também. A sua superioridade vem da prática desses princípios expostos nesse site. Ela não está nos seus genes e não é dada pelos deuses. Cabe a você tornar-se superior. O método espartano é apenas o caminho. É democrática porque qualquer um, seja quem for se conseguir mudar-se e tornar-se um espartano torna-se superior.

Lute pela aprovação do casamento entre pessoas de mesmo sexo mas não case. Isto é, só case em casos extremos e com vantagens muito expressivas. Vantagens maiores do que as dificuldades que podem ser geradas por um tipo de contrato como é o casamento. Em caso de término de um casamento, ocorrem disputas jurídicas como o pagamento de pensões e outras dificuldades das quais, até então, estamos livres...

(A idéias ou frases desse artigo podem ser citadas desde que se revele a fonte)