Da finalidade e da Organização dos Espartanos

As Sabinas de Jacques-Louis David (1748-1825)  
 

A finalidade da filosofia chamada de tradição espartana é, ao fazer o seu adepto estudar as tradições masculinas e amar o fato de ser homem relacionando-se com outros homens, torná-lo apto a sobreviver.

É uma filosofia de crescimento pessoal. Ela visa torná-lo auto-suficiente. Auto-suficiente econômica, intelectual e moralmente. Fortalecer, com a sabedoria dos guerreiros, sua autoconfiança, resultado da conquista da coragem, retidão moral e daí sua superioridade e nobreza em relação aos outros.

Sob esse ponto de vista, o espartano, antes de unir-se a outros, pode já ser uma adepto solitário dessa filosofia. Ele é soberano e só sua consciência é o seu guia. Pesquisando a sabedoria dos guerreiros, sentindo o prazer de ser homem, e não abrindo mão disto, é o que fará dele um espartano.

Entretanto, o espartano organizado é diferente. Ele associa-se e cria uma espécie de maçonaria espartana cuja finalidade é o apoio mútuo. Uma organização de espartanos visa, principalmente, contribuir para o crescimento pessoal do indivíduo.

A tradição espartana, como já foi dito, é uma filosofia. A medida que se estuda o gênero masculino através de seus documentos, das narrativas de antropólogos e estudiosos da masculinidade adquire-se uma força muito grande para enfrentar as realidades cruéis que se colocam diante de nós aleatoriamente ou, algumas vezes procuradas por nós próprios, até sem nos apercebermos. .

É, portanto, um conhecimento de forte auto-ajuda.

As organizações espartanas são círculos de pessoas que praticam o apoio mútuo.

O círculo visa proteger e ajudar àqueles que estão dentro dele. Para isso exige que esses homens sejam de fato homens. Não permite drogas, alcoolismo, fumo e nada que enfraqueça o indivíduo. Sua finalidade é criar indivíduos fortes, amadurecidos, equilibrados, honestíssimos, responsáveis e, portanto, confiáveis, unidos em compromissos recíprocos de apoio mútuo em uma organização que vise o engrandecimentos de todos.

Os homens sempre, quando em ambiente hostis, se organizaram em sociedades como maçonarias, fraternidades e semelhantes.

Uma fraternidade espartana pode ter uma parte visível de diálogo com a sociedade mas deve manter-se no mínimo discreta. Todos os seus membros são iguais. A democracia é a única forma de comportamento esperado.

Aliás o princípio de justiça faz com que se espere que os espartanos sejam socialistas libertários. A organização espera que eles sejam fraternos, ajam como irmãos, vinculados por juramentos de fidelidade e respeito mútuos. A organização substitui a família quando ela não existir ou funciona como ela, paralelamente.

Os espartanos são organizados por faixas semelhantes as faixas das artes marciais. Essas faixas indicam um programa de crescimento moral e intelectual. É uma auto- avaliação. Eles mudam de faixas a partir do momento em que se desenvolvem moral e intelectualmente. Elas não correspondem, em nenhuma hipótese, ao currículo escolar de nenhum país.

O fato de ser um doutor formado na melhor universidade do mundo não o impede de começar como faixa branca e não lhe auxilia em nada a passar para a amarela. O que o faz mudar de faixa é o esforço dentro ou pela organização. O indivíduo faz o seu currículo. O autodidatismo é incentivado. Ele propõe, a partir de uma sugestão básica, o que ele deve estudar para passar de uma faixa para outra. Nada pode lhe ser imposto. Ele negocia com uma comissão, de acordo com suas habilidades e interesses, o que vai desenvolver para mudar de faixa.

A única coisa que não pode deixar de estudar é o método. Isto é, a tradição espartana, a história da masculinidade e os textos e documentos dos samurais, espartanos, cavaleiros medievais etc.

As faixas são: branca, amarela, verde, azul e preta. A organização é dirigida por uma assembléia de representantes de todas as faixas a partir da amarela. São eleitos dois coordenadores e um secretário.

As pessoas não podem pertencer a uma fraternidade espartana só porque querem. Elas precisam ser convidadas e aceitas. Passam por um período de observação. São devidamente investigadas e devem estar cientes disso e concordar. A fraternidade é mantida pelos seus membros de acordo com suas posses.

O espartano inaugura uma nova identidade. Não é homossexual ou gay. Inspirados na cultura espartana e dos samurais não se identifica com a cultura gay e nada do que ela cultua, seus símbolos, representantes, maneiras de viver e estilos de vida. Entretanto defende o direito de qualquer um ser como quiser.

Defende, portanto, o direito de quem quer deixar de ser homem para poder fazer sexo com outro homem. Só que o espartano é o oposto: ambos são homens e possuem uma grande prazer de serem do gênero masculino. Sua cultura, seus símbolos são totalmente diversos da cultura gay. Ele reivindica o direito de ser representado por espartanos e não por gays e homossexuais.

Entretanto aqueles que são gays e não querem mais sê-lo serão aceitos, depois de se identificarem, de fato, com a cultura masculina e com a filosofia espartana. Sua cor símbolo é o azul jamais o cor-de-rosa ou as cores do arco-íris. Sua bandeira é azul com duas espadas douradas cruzadas.