Os dois princípios fundamentais da tradição espartana

Os dois princípios fundamentais da tradição espartana foram extraídos dos ideais de masculinidade que estão no hagakure dos samurais, no código da cavalaria, na Arte da Guerra de Sun Tzu e de outros documentos elaborados por guerreiros de vários povos.

Primeiro princípio da tradição espartana: viver é guerrear para sobreviver com dignidade

O Juramento dos Horácios Jacques-Louis David  
 

O mundo, tanto natural como social, é hostil. Guerrear aqui é entender que se vive em guerra constante contra uma natureza predatória que opera em nosso próprio corpo e em sociedades que são, profundamente desorganizadas, corruptas, caóticas e, portanto, cruéis com todos. Portanto, o conhecimento das estratégias militares adaptadas para administrar as situações predatórias à nossa sobrevivência ou qualidade de vida, é fundamental. É necessário treinar-se, de acordo com esse conhecimento, para ser o mais eficiente possível no ato de sobreviver no ambiente hostil natural e social em que vivemos. Precisa-se ser eficiente nesse objetivo para se ter paz. O guerreiro forma-se no interior de cada um. É uma organização das suas idéias, portanto uma filosofia, baseada na masculinidade dos nossos ancestrais. É, fundamentalmente, um conjunto de atitudes que norteia um treinamento constante para se vencer a hostilidade em nossa volta. Esse conjunto de atitudes é subjetivo, ocorre na consciência. Cria uma mentalidade.

Segundo princípio: a primeira guerra é travada contra nós mesmos

A primeira grande batalha, e exige muito conhecimento de estratégia, é travada contra nós mesmos. Só nos melhorando e, portanto, nos modificando, podemos vencer-nos para vencer. Vencer-se para vencer é eliminar os hábitos que nos enfraquece deixando-nos despreparados para sobreviver em uma natureza e sociedade, profundamente, hostis. Essa é a preparação para ser guerreiro e homem. A finalidade é ser forte. Entenda forte não só no sentido de corpo forte. Corpos fortes podem abrigar personalidades fracas, vulneráveis. Não confunda força com artes marciais ou músculos desenvolvidos, violência ou estupidez gratuitas. Esses comportamentos, superficialmente masculinos, são histeria e fraqueza. Não reduza masculinidade a estereótipos. A masculinidade é um estado de espírito profundo. Ela é, fundamentalmente, subjetiva. Expressa-se no corpo mas vem da alma. Alma aqui significa a introjeção de uma cultura masculina que o indivíduo descobriu, tomou consciência que é boa e passou a admirar profundamente. O homem verdadeiro é um misto de monge e guerreiro. O que está dito é que se deve ser o mais saudável possível mesmo que possua alguma limitação. Assim sendo, um deficiente físico pode ser mais saudável do que outro sem nenhuma deficiência. A maior deficiência é não ser estratégico e auto-suficiente e, portanto, não ter autodisciplina e autocontrole. O que consegue treinar-se para adquirir essas habilidades será o mais forte dos homens independente do corpo que possua. Compreender o limite de cada um é uma estratégia que dá força. A força de uma personalidade é subjetiva assim como a masculinidade. Expressa-se no corpo e nas atitudes mas é resultado de uma filosofia.