Resumo dos Fundamentos

 

O meu foco de pesquisa é sobre que, em muitos povos, as relações sexuais entre homens se associavam a uma masculinidade de ambos muitas vezes guerreira. Veremos esse comportamento em Esparta, no batalhão sagrado de Tebas, entre os samurais, em muitos povos cuja formação de guerreiros geram uma gramática erótica na qual eles expressam sua masculinidade nos seus prazeres sexuais entre si. Uma gramática erótica aí são princípios criados a partir da descoberta do desejo erótico e dos prazeres sexuais possíveis que homens podem gerar entre si. Nessa gramática ser guerreiro e másculo definia esses homens. A partir daí ela criou uma linguagem subjetiva e objetiva nos atos de obter os frutos desses prazeres sexuais. Observamos que muitos rituais de passagem, e um dos mais divulgado foi por Godelier « La production des grands hommes : pouvoir et domination masculine chez les Baruya de Nouvelle-Guinée », no qual ele mostra que as relações sexuais entre homens, que treina seus recrutas, era fundamental para ele se tornar um guerreiro. Isso é recorrente em muitos outros povos. De forma sublimada ou não surgiu também entre monges. E os templários foram acusados desse tipo de prática entre homens em seus conventos de militares. Era criada, na relação sexuais entre eles como uma ode aos seus corpos semelhantes e a troca ou gestação da masculinidade não só no treinamento corporal e subjetivo mas com os prazeres sexuais de ambos. Esses prazeres, portanto tinha uma gramática própria que, muito resumidamente, era essencialmente formar entre si e em cada um deles uma ética rígida de conduta, de autocontrole de suas emoções para se criar, a partir dela, tendo os prazeres sexuais entre eles como um exercício visando aumentar neles tanto a masculinidade como tudo que se entendia por ser um guerreiro. Isto é, honesto e confiável e tudo aquilo que está sempre nos códigos desses guerreiros e da masculinidade. Era essa a premissa principal que é a concentração e desenvolvimento da masculinidade, vista como descrevemos acima, se gerava e aumentava a masculinidade deles traduzida em ser o mais forte subjetivamente possível daí sua autodisciplina e honestidade serem fundamentais, para enfrentar as diversidades. Eles viam nos outros não só o prazer sexual possível mas, nesse ato ritual, muitas vezes a ode a masculinidade dos dois, um processo pelo qual eles a aumentavam não só no treinamento mas na transmissão simbólica, ao extraírem prazer, muitas vezes, amor usando seus corpos e subjetividades assim construídas como o instrumento dessa celebração. Na Grécia Antiga, "ode" era um poema sobre algo sublime composto para ser cantado individualmente ou em coro, e com acompanhamento musical.

Entretanto, a partir do surgimento de povos como os judeus, os cristãos, maometanos entre outros essa peculiaridade foi demonizada e excluída dos prazeres sexuais entre guerreiros. Perdeu-se essa tradição, que era incentivada, da masculinidade tendo como os prazeres sexuais entre eles, um fator importante para sua constituição como homens e guerreiros.

A partir daí, depois de séculos de repressão, se viu desaparecer essa tradição chamada aqui de espartana, por uma outra gramática surgida pela insistência de que o único prazer sexual dos seres humanos possível é entre sexo diferentes visando a procriação. A única gramática possível de se ter prazer sexual era entre sexos diferentes. Destituídos de uma gramática própria, sua consciência e informação de como era praticada os prazeres sexuais entre homens os que descobriam os prazeres sexuais entre pessoas do mesmo sexo davam prazer, passaram a imitar a única forma possível e imposta de relações sexuais que era entre homens e mulheres. Encenavam uma pantomima erótica. Pantomima é a representação de uma história exclusivamente através de gestos, expressões faciais e movimentos, no drama ou na dança. E nessa imitação perderam toda a tradição dos prazeres sexuais entre homens e suas vantagens. Ao contrário, eles foram obrigados, por sugestão talvez, falta de informação, violenta repressão, que um deles imitasse uma mulher ou a representasse e o outro o homem. Isso se reproduziu também entre as mulheres que descobriram os prazeres sexuais com pessoas do mesmo sexo. Uma representava e se caracterizava com homem e a outra como a mulher desse homem.

No nosso entender muito se perdeu com essa imitação. Entretanto jamais nos posicionamos contra as pessoas administrarem seus desejos sexuais, e, ao contrário, defendemos o seu direito de ser como quiserem. Mas acreditamos também de termos o direito de ser ocmo queremos ser. O que estamos aqui colocando é, portanto, a proposta que quem quiser praticar os prazeres sexuais entre pessoas do mesmo sexo com sua gramática erótica própria vinda de sua história antes de sua repressão o faça e temos aqui nesse site colocando os fundamentos dessa reedição dessa forma de se pensar e praticar os prazeres sexuais entre pessoas do mesmo. Força física é opcional, saúde sim deve-se procurar manter mas o fundamental é a subjetividade. Porque, no nosso entender, o sexo dos guerreiros, dos heróis com a exigência de se ser forte subjetivamente a partir de não roubar, ser confiável, ser honesto, ser disciplinado e assim se relacionar com outros homens permite a eles melhor enfrentar, na nossa atualidade, suas adversidades. A nossa proposta é essa.

 

 

 

1 - O homem não nasce predeterminado sexualmente. Não possui destino erótico. Não é igual aos animais irracionais que possuem estro.

O homem não tem estro e possui um córtex cerebral muito desenvolvido. Além do raciocínio é dotado de imaginação. Esses fatos biológicos o tornam sexualmente indeterminado. Se deixado à vontade ele erotiza muitas coisas em sua volta e chega ao orgasmo com os mais variados objetos (suas mãos, animais, alguns vegetais) e também com o mesmo sexo. Em geral repete o que lhe deu prazer e habitua-se ficando inteiramente satisfeito. Porque saciado recusa outras formas de relações sexuais ou só as faz por obrigação social. É difícil reprimir um prazer erótico descoberto, repetido várias vezes, a que se habituou e sente-se plenamente satisfeito. Muitos não conseguem se conter. É esta a nossa estrutura biológica. Não é possível desmenti-la ou mudá-la. Essas são as razões porque homens fazem sexo entre si. Todos que experimentarem, sem preconceitos, gostarão. Não é possível que um indivíduo sendo chupado ou masturbado por outro, que ache bonito, não goze. Não existe nenhum mistério ou algum motivo especial para que ocorra o orgasmo entre eles. Homens fazem sexo entre si porque sentem prazer. Eles sentem prazer porque não têm estro e possuem um grande desenvolvimento do córtex cerebral que os dota de raciocínio e imaginação. A reprodução, na nossa espécie, não é obrigatória, é ocasional. A evolução, se você quiser raciocinar de acordo com ela, nos fez assim.

2 - As sociedades controlam a atividade sexual humana porque ela é a causa da reprodução da espécie

É através do sexo que se fabricam crianças. Crianças transformam-se em mão-de-obra. A mão-de-obra é aumentada (mão-de-obra de reserva) ou substituída através do sexo entre pessoas de sexos diferentes. Sem mão-de-obra não existe acumulação de capital. Como o homem é um ser que nasce indeterminado sexualmente, predisposto a procurar gozar com os mais variados objetos, algumas sociedades tiveram de impedir o desperdício do sêmen com atividades sexuais não reprodutivas. Criaram tabus sexuais que só permitem um homem ter prazer erótico com uma jovem, não parente próxima, se possível de menor estatura do que ele. Quer dizer: em idade e condições perfeitas para procriação. Ele tem de casar com uma delas, fazer filhos, mantê-los com seu dinheiro e os transformar em mão-de-obra útil. A sociedade, uma vez que a natureza não o faz, inventa um destino erótico para o homem antes mesmo do seu nascimento. O manipula sexualmente para atingir seu objetivo que é a acumulação do capital.

3 - Os homens são programados pela sociedade para se reproduzirem

A sociedade programa os homens, desde crianças, para se comportarem, quando adultos, como pais-de-família. O homem nasce indeterminado sexualmente mas a sociedade o obriga, programando-o, para só fazer sexo com uma jovem, não parente próxima, se possível de menor estatura. É reprimido e pressionado toda vez que não faz sexo com o sexo oposto e obrigado, elogiado e premiado quando faz. O boneco, movido a pilha, fica convencido de que nasceu para se reproduzir e de que a única função do sexo é essa. Ser visto com uma mulher bonita, seja namorada, noiva ou esposa, dá a ele um prazer social maior do que qualquer tipo de prazer erótico proibido.

4 - Os conteúdos ideológicos da programação: biologismo ou psicologismo

A sociedade, para convencer os mais tolos a serem reprodutores, cria uma ideologia baseada em biologismos ou psicologismos primários. Mesmo o indivíduo não tendo estro e possuindo muita imaginação essa ideologia divulga que existe uma suposta vontade da natureza que o faz gostar só da mulher padrão, estabelecida pela sociedade para o sexo. Isto ocorreria, supostamente, porque é resultado dos seus genes egoístas, como imaginou um neo-schopenhaueriano alucinado, do Complexo de Édipo resolvido, do seus hormônios pré-natais regulados e outros equívocos. Quem não o faz é porque é, supostamente, alterado em algum aspecto do seu organismo ou do seu psiquismo. O bobex acredita nisto. Sente até. Suas irmãs também são mulheres mas ele não as deseja. Não sabe porque. Só sente que não as deseja. Não as quer para o sexo. No Egito Antigo as teria desejado. Não as penetra, atualmente, porque esse tipo de relação pode por em risco a prole além de impedir a união do capital de famílias economicamente prósperas. Não sente desejo sexual pelas irmãs porque a programação, quando eficiente, provoca esse efeito psicológico. Só não tem desejo por elas quando sabe que são suas irmãs. Não sabendo, as come tranquilamente. Entretanto, mesmo não sendo verdade, uma vez sugerido que a mulher, diante dele, é sua irmã e ele acreditando, perde de imediato o interesse sexual por ela. O tabu só atua, psicologicamente, a partir da identificação das características que tornam proibido o objeto a ser consumido. O mesmo ocorre com outros objetos possíveis de darem prazer sexual, como o mesmo sexo. Se, devidamente programado, sente o que os tabus, que lhe foram impostos, determinam. Acontece também com alimentos proibidos por alguns povos, não só com sexo. Ingerindo alimentos tabus o indivíduo vomita ou sente-se fisicamente muito mal. Esse fenômeno já está cientificamente comprovado por vários cientistas sociais e psicólogos.

5 - O santo medieval católico Tomás de Aquino (1225-1274) foi quem criou a ideologia sexual vigente até hoje entre nós

A ideologia sexual da nossa sociedade, mesmo com linguagem científica, é baseada nas idéias de Tomás de Aquino. A sua teoria do vaso natural (a vagina), criado por Deus para as relações sexuais, é que serviu de base para uma suposta ciência do sexo. O princípio tomista de pecado contra a natureza, criada e ordenada por Deus, isto é, despejar o sêmen, o desperdiçando, fora do vaso natural, está subjacente a todas as teorias da sexualidade divulgadas na nossa sociedade. Supostos cientistas, psicólogos, psicanalistas, influenciados pelo tomismo, apenas traduzem o pecado do desperdício do sêmen fora do vaso natural, inventado por São Tomás de Aquino, como perversão, desvio, inversão ou parafilias sexuais. Esses supostos cientistas, psicanalistas etc se perguntados porque é perversão ou inversão, o que eles consideram o suposto desperdício do sêmen entre dois homens, não sabem responder sem recorrerem ao tomismo. É, segundo eles, perversão e inversão porque o Santo Tomás de Aquino estabeleceu que o vaso natural é o único local legítimo para a ejaculação. A reprodução da espécie é a causa do sexo e não o contrário. Logo quem não o faz é pervertido, invertido e segundo eles, anormal. Daí partirem para inventar, além da obviedade do prazer que os homens sentem quando fazem sexo entre si, uma suposta causa.

6 - A origem histórica da repressão à sexualidade está nas teorias de povos natalistas

Eles agiram assim porque possuíam uma pequena população e viviam, por isto, sendo escravizados. Procuraram se multiplicar aceleradamente e, portanto, eram contra toda atividade sexual não reprodutiva. Pecados sexuais (onanismo, sodomia etc), para esses povos, são atos eróticos que não levam à procriação. Foi portanto uma solução política usar o sexo para reprodução acelerada da população que nada tinha va ver com os prazeres sexuais. Depois, vários supostos cientistas, psicanalistas, psicólogos, jornalistas, juristas, sem fazerem a necessária revisão epistemológica de como esses povos usavam politicamente os prazeres sexuais para constituir seus exécitos e depois a os operários explorados no capitalismo criaram, baseados neles, os mitos sexuais a que estamos acostumados: perversões, desvios sexuais, inversões, homossexuais, heterossexuais etc.

7 - Para gregos, romanos, samurais o sexo entre homens era uma forma legítima, comum, naturalíssima e óbvia de se obter prazer sexual

Gregos, romanos, samurais, povos da Nova Guiné, África e Oceania, que não foram influenciados pelo pensamento judaico e cristão, sempre acharam que o sexo entre homens era um prazer legítimo e estava disponível para ser praticado sem muita censura. Em Esparta e nas cidades-estados gregas era freqüente esse comportamento entre a nobreza militar e os cidadãos livres.

8 - Para muitos povos o sexo ritualizado entre homens era uma forma superior de sexualidade

A nobreza grega clássica achava ser a amizade entre homens, incluindo sexo, uma forma superior de relacionamento. Os ritos de passagem de alguns povos incluíam sexo entre homens.

9 - A cultura gay não representa os espartanos

O espartano não é homossexual ou gay. A associação de androginia e sexo entre homens é apenas uma das versões possíveis dele. Em nossa sociedade criou-se uma cultura chamada de gay, profundamente influenciada por uma mentalidade pequeno-burguesa. Admitiu-se, a partir da segunda metade do século XIX, o nome de homossexual para definir quem praticasse sexo com o mesmo sexo. Surgiram organizações que congregam muitos comportamentos sexuais antagônicos entre si. Essa cultura não se baseia nas tradições de sexo entre homens como foram estruturadas pelos espartanos e samurais anteriores à influência naalista na nossa sociedade. O espartano, portanto, não é homossexual ou gay. Entretanto nada tem contra quem quer sê-lo. Defende o direito de qualquer um ser como quiser, inclusive o seu de ter sua própria identidade.

10 - O Espartano agradece todos os dias aos seus deuses (os guerreiros ancestrais) ter descoberto e ter coragem de praticar os prazeres sexuais entre homens.

O espartano se relaciona sexualmente como o mesmo sexo achando-o legítimo e o melhor caminho de desenvolvimento pessoal devido ao acesso à cultura dos antigos guerreiros que somaram o prazeres sexuais entre homens com uma série de normas de conduta e exercicios de conduzir sua subjetividade que o fortalece e assim tem uma vida produtiva, tranquila e feliz. Foucault chamou de práticas de si ou cuidado de si da Grécia antiga, que começou com os espartanos, como sinônimo de liberdade. É preciso para os espartanos lerem Foucault. Não pensem que não vão entender. Nós lhe ensinamos a ler Foucault que está muito próximo à tradição espartana.