Manifesto Espartano

 Os Fundamentos Científicos

Depois de efetuar uma série de estudos sobre a diversidade do comportamento sexual humano para escrever uma dissertação de mestrado, descobri uma das mais recentes pesquisas científicas sobre a inexistência do estro (cio) nos seres humanos. Essa pesquisa foi efetuada por Catherine Dulac, professora de Biologia celular e molecular da Universidade de Harvard e por Emily Liman e David Corey, que são professores de Neurobiologia celular e molecular na Harvard Medical School. Todos os três trabalharam em Harvard e no Massachusetts Hospital, em Boston. Eles provaram, de forma inequívoca, que o ser humano não tem estro (cio). Fato que muitos outros cientistas já tinham também constatado.

Paralelamente a isso, travei conhecimento com outras pesquisas efetuadas por Ford & Beach, 1951, 1958, Rosenzweig, 1973 que demonstraram que o aumento do córtex cerebral leva os animais, que possuem essa característica evolutiva, a apresentar comportamentos sexuais diversos da relação sexual visando unicamente a reprodução da espécie. Assim sendo, a soma dessas duas características da nossa estrutura biológica, a inexistência do estro e o grande desenvolvimento do córtex cerebral, leva a uma alteração fundamental na maneira do ser humano sentir prazer sexual. Esses dois fatos biológicos são, portanto, as únicas causas do porquê muitos homens, nas mais variadas circunstâncias, descobrem que a relação sexual com o mesmo sexo dá muito prazer. E, muitos deles, unicamente por essa razão, a transformam em um hábito frequente e, muitas vezes, exclusivo. Muitos chegam, também, a se amarem profundamente. Publiquei dois livros a respeito dessas descobertas: Sexo Entre Homens e a Tradição Espartana e Os Fundamentos do Sexo Espartano, este último disponível para leitura neste site.

As causas sociais, históricas e econômicas da repressão ao sexo entre homens

Como o ser humano, pelas razões vistas acima, nas mais variadas circunstâncias e com muita frequência, descobre que o sexo com o mesmo sexo dá prazer, algumas sociedades proibiram a sua prática. O motivo da proibição é que é através da relação sexual entre pessoas de sexos diferentes que se fabricam crianças. Crianças transformam-se em mão-de-obra. A mão-de-obra é aumentada (mão-de-obra de reserva) ou substituída através do sexo entre pessoas de sexos diferentes. Sem mão-de-obra não existe acumulação de capital. Se muitos ou quase todos passarem a desperdiçar o sêmen só com prazer, recusando-se a reproduzir a espécie e, principalmente criá-la com seu eforço e dinheiro, a natalidade diminui e, consequentemente, a mão-de-obra educada pelos pais para ser útil no trabalho. Logo, sob o ponto de vista dessas elites, toda atividade sexual que desperdice o sêmen só com prazer deve ser desestimulada, ridicularizada e/ou proibida por lei. Para elas o destino erótico dos homens é ser pai-de-família. O familismo é propagado pela ideologia dessas elites como sendo a vontade da natureza o que, como provam as mais recentes pesquisas científicas, não é verdadeiro. Principalmente, no ser humano que evoluiu também na maneira de sentir prazer sexual e, assim sendo, tornou-se livre da determinação do estro em relação ao objeto sexual que lhe proporciona prazer.

Essa repressão, ao livre exercício da sexualidade humana, se iniciou com o judaísmo porque os judeus eram pouco numerosos, cercados de inimigos e, por isso, escravizados com frequência. Portanto, precisando desesperadamente aumentar a população, eles proibiram toda atividade sexual que desperdiçasse o sêmen só com prazer. Foram eles que criaram os primeiros termos pejorativos (sodomia e sodomita) para descaracterizar e nomear como pecado o sexo entre homens. Entretanto não quer isso dizer que os judeus devem ser considerados, assim como os católicos e adeptos de outras religiões, que foram os culpados de se ter criado a perseguição a liberdade sexual humana. É preciso que se leia a questão, nesses povos, de estabelecer normas para os prazeres sexuais, a partir de suas religiões, como uma necessidade de se criar uma familia de pessoas de sexos diferentes que fosse numerosa para poderem enfrentar inimigos mais poderosos e mais numerosos que queriam os escravizar. O controle então da natalidade passou a ser uma questão política e de guerra e não sexual. Por outro lado não existia uma medicina que garantia tanto o parto como a sobrevivência dos que nasciam nos primeiros meses com hoje ocorre. Portanto o fazer filhos era obrigatório. O que ocorreu foi que então passou a ser pecado tudo aquilo que não levava a procriação e uma família visando principalmente o objetivo de criar uma população grande o suficiente como mão de obra e exército. Não foram só os judeus mas os católicos, os islamitas e muitos outros povos que optaram pela criminalização de toda forma de prazer sexual que desperdiçasse o sêmen que só poderia ser usado para a reprodução da espécie. Hoje em dia Israel é um país que não reprime o sexo entre pessoas do mesmo sexo. Assim como a maioria dos paises católicos ou protestantes. O que pode ainda ocorrer é que grupos, no meu entender, equivocados, não compreenderem ainda que os livros sagrados podem e devem ser lidos dentro de uma necessidade política e econômica de um povo e que a palavra, para quem nela acredita, deve ser interpretada e principalmente porque a Bíblia, por exemplo, apresenta momentos nos quais uns episódios contradizem outros nessa questão. Por outro lado os textos sofreram de traduções feitas apressadas ou mesmo servindo aos interesses de grupos políticos de cada época. Assim sendo, não leiam esse manifesto como uma rejeição a nenhum povo ou religioso. O que não aceitamos é que, por razões política ou pessoais ou equívocos na maneira de pensar, algumas pessoas se achem no direito de perseguir aqueles que não querem seguir normas sexuais estabelecidas por elas usando religiões e equívocos também feitos pela ciência do século XIX que diziam ser doentes todos aqueles que não se relacionassem com o sexo oposto para reprodução da espécie. Reparem que esse tipo de discurso se dizendo científico no século XIX e até meados do século XX a Europa estava em um período de imperialismo colonialista promovendo guerras para invadir e criar colônias em todas as partes do mundo. Precisava, portanto, de um número grande de homens o brigados e dispostos a guerrear e morrer para que os outros, na Europa, ficassem ricos.

Com o advento do cristianismo, principalmente com São Tomás de Aquino, foi criada uma moral sexual baseada nos princípios do judaísmo, que descrevia o sexo entre pessoas do mesmo sexo como sendo contra a natureza. A descrição da natureza, efetuada pelo santo católico Tomás de Aquino, entretanto, é ingênua e não corresponde à realidade. A descrição medieval da natureza feita pelo tomismo não tem a menor semelhança com a natureza descrita pela ciência. Em relação à sexualidade humana as principais pesquisas científicas atuais, a respeito do estro e do desenvolvimento do córtex cerebral, apontam para o fato de que essas duas características de nossa espécie influenciam na criação de uma indeterminação dos objetos sexuais que servem para proporcionar prazer erótico aos homens. No ser humano o desejo sexual não é desencadeado por um suposto órgão (vomeronasal) situado no nariz, que percebe feromônios como ocorre com muitos animais, mas pelo olhar e pelo tato. Entretanto, como o crescimento da população, formando um contingente grande de mão-de-obra de reserva, é importante para o aumento do capital das elites sociais, em algumas sociedades foi imposta uma ideologia natalista e familista. Em grande parte ela se baseou na moral sexual católica e teve desdobramento no islamismo, para obrigar os homens a se casarem, fazer filhos e, com seu esforço e dinheiro, os preparar para ser uma mão-de-obra útil. Esse fato criou a síndrome do Zangão.

Para convencer a todos dos princípios dessa moral, as elites sociais e seus ideólogos programam, pelo terror, todos os homens, desde que nascem, para só se interessarem eroticamente por uma jovem, não parente próxima, se possível de menor estatura do que a dele. Este é o único objeto sexual possível e também obrigatório para todos os homens. Entretanto, como a real constituição biológica humana troca a excitação sexual provocada pelo estro (perceber feromônios pelo nariz) pelo olhar e o tato, muitos objetos passam a ser usados pelos homens para chegar ao orgasmo. Entre os mais frequentes estão as próprias mãos, animais, vegetais, objetos como bonecos e, claro, o mesmo sexo. A boca, as mãos, as nádegas e coxas, enfim um corpo masculino pode também proporcionar muito prazer sexual a outro homem. Portanto, vir a tornar-se, devido unicamente a isso, preferencial e exclusivo para quem o descobriu e praticou com mais frequência e sem culpa, descobrindo suas sutilezas e nuances. Entretanto, o medo de ser chamado de veado, bicha e os outros nomes criados desde o sodomita judaico, aterroriza uma grande parte dos homens. Em muitos deles a sistemática reprovação de todos das relações sexuais com o mesmo sexo soma-se, principalmente, ao pavor de que seus pais, entes queridos, colegas e vizinhos cheguem a saber que eles chegaram ao orgasmo com outro homem. Quer dizer, não se relacionam sexualmente só com o sexo oposto, como a moral sexual judaico-cristã e islâmica obriga a todos fazer. Eles então desenvolvem uma profunda homofobia (medo do sexo com o mesmo sexo) que os leva a um estado de torpor provocado pelo imenso medo de se entregarem a esse tipo de prazer. Nesse entorpecimento da percepção erótica eles não pressentem a possibilidade de chegar ao orgasmo com outro homem. Conformam-se, aterrorizados, com o fato de que não são eles que determinam onde colocam o seu próprio pênis para sentir prazer sexual, é a sociedade, através de seus pais, parentes, amigos e vizinhos, que o faz. Esse é um estado, portanto, de alienação sexual.

Uma das provas dessa programação sexual desencadeada pela violenta pressão social para todo homem ser pai-de-família é o fato de que quem foi programado pela moral sexual católica, em geral também não se relaciona sexualmente com suas irmãs, parentes próximas ou mulheres mais velhas. Rejeita, sem saber o motivo, todas as mulheres que não são aptas para a procriação. Suas irmãs também são mulheres, mas ele não as deseja. Não sabe o porquê. Só sente que não as deseja. Não as quer para o sexo. No Egito Antigo as teria desejado porque era permitido. Não as penetra, atualmente, porque esse tipo de relação pode por em risco a prole além de impedir a união do capital de famílias economicamente prósperas. Não sente desejo sexual pelas irmãs porque a programação, quando eficiente, provoca esse efeito de torpor sexual. Só não tem desejo por elas quando sabe que são suas irmãs. Não sabendo, pode vir a se relacionar sexualmente com elas com tranquilidade. Entretanto, mesmo não sendo verdade, uma vez sugerido que a mulher, diante dele, é sua irmã e ele acreditando, em geral, fica pertubado moralmente e perde de imediato o interesse sexual por ela.

O tabu só atua, psicologicamente, a partir da identificação das características que tornam proibido o objeto a ser consumido. O mesmo ocorre com outros objetos possíveis de darem prazer sexual, como o mesmo sexo. Se, devidamente programado, o homem sente o que os tabus, que lhe foram impostos, determinam. Acontece também com alimentos proibidos por alguns povos, não só com sexo. Ingerindo alimentos tabus o indivíduo vomita ou sente-se fisicamente muito mal. Esse fenômeno já está cientificamente comprovado por vários cientistas sociais e psicólogos.

Da mesma maneira, as mulheres muito novas, meninas ainda, não são aceitas. Só servem aquelas na idade correta para dar à luz e cuidar da prole, e, portanto, competentes para formar a futura mão-de-obra. Isso demonstra que o programado sexual pela moral sexual católica procura ser todo certinho, se comportando absolutamente de acordo com ela, mesmo sem ser judeu, católico ou muçulmano (islamita). Em relações às irmãs uma grande parte dos homens apresenta até um maior grau de torpor do que o que apresenta em relação ao mesmo sexo. Ele imagina que não sente nenhum desejo sexual por elas.

Entorpecido por uma ideologia sexual alienante que diz que o natural é ele só sentir atração erótica pelo objeto sexual que lhe dará filhos saudáveis, ele imagina que não deseja sexualmente outro objeto possível de lhe dar prazer a não ser aquele que interessa às elites sociais e, por isso, é obrigatório. Assim imagina que não deseja sexualmente suas irmãs e que não sente também desejo pelo mesmo sexo. Estamos falando da regra. As exceções só confirmam a regra. Ele canaliza, nervosamente, todo seu erotismo, e se esforça muito, unicamente para só sentir desejo sexual por uma jovem, não parente próxima, bonitinha e, se possível, de menor estatura que a dele. Daí o entorpecimento sexual em que vive, a castração de sua liberdade sexual, os desejos eróticos paralelos algumas vezes disfarçados, o nervosismo e sofrimento diante de tentações eróticas que não são aceitas pela moral católica. Muitas vezes vive comédias, quando é surpreendido desobedecendo esta moral sexual e é espezinhado por todos devido a isso. Outras vezes vive tragédias pessoais inomináveis, frustrações e pode vir a se tornar agressivo ou deprimido. Afinal ele está, para agradar parentes e amigos, indo de encontro a estrutura biológica do Homo sapiens que não possui estro.

A influência do tomismo nas teorias, supostamente científicas, sobre as causas do sexo entre homens

A alienação das sociedades que estabeleceram a moral sexual católica como a norma da sexualidade humana fez surgir um discurso pseudocientífico sobre o que levaria um homem a não se relacionar sexualmente apenas com o sexo oposto. Seus autores não fizeram a necessária análise crítica de um tabu sexual criado pelos judeus e tomaram o tabu pela realidade. Não perceberam que estruturaram seu edifício ideológico não tendo a base na realidade sexual humana. Ao contrário, se basearam na moral sexual do judaísmo e depois do tomismo. Assim fizeram desde os chefes de polícia até os psicanalistas, psiquiatras, psicólogos e médicos, principalmente no século XIX, século no qual se desenvolveram a industrialização e o imperialismo europeu, necessitando de abundante mão-de-obra e mercado consumidor para as novas mercadorias. Portanto, cada um inventou um termo e uma causa para explicar porque um homem fazia sexo com outro não enxergando, devido à influência da moral sexual do tomismo, que ele o fazia porque, sentindo muito prazer, chegava ao orgasmo. Apelaram para explicar esse pecado, renomeado de anormalidade, supostas causas além do prazer físico. Criaram, assim, uma espécie de metafísica mesmo se expressando em linguagem científica. Daí, para explicar porque existem homens que fazem sexo entre si, inventaram hipotéticas causas genéticas, hormônios pré-natais descontrolados, complexo de Édipo não resolvido etc. Quer dizer, sugerindo outras causas além do único fato físico real e observado que é o prazer sexual.Prazer esse que dois homens sentem quando descobrem que se acariciando reciprocamente chegam ao orgasmo. Eles sentem prazer, não porque são pervertidos ou anormais, mas porque a nossa estrutura biológica, resultado da nossa evolução como espécie (não termos estro e possuirmos um córtex cerebral muito desenvolvido que nos dota de muita imaginação) permite que todos que tentarem sentir prazer sexual com o mesmo sexo cheguem ao orgasmo. A grande maioria dos homens sabem ou desconfiam, por exemplo, que se masturbado ou tendo seu pênis chupado por outro homem vai chegar a ejaculação. Escamotear esse fato é ser hipócrita.

Entretanto, esses ideólogos travestidos de cientistas, comprometidos com os interesses das elites dominantes, na ânsia de reprimir toda forma de prazer sexual que não fosse a que gerasse crianças e a família que as crie, imaginaram as mais mirabolantes e insensatas teorias para reprimir o sexo com o mesmo sexo. Surgiram nomes como inversão sexual, invertido sexual, desvio sexual (desvio supostamente da natureza quando era, na realidade, apenas da moral sexual católica). A psicanálise criou o complexo de Édipo não resolvido para explicar o desejo sexual de um homem por outro que ela chama de perversão sexual. Por outro lado, fez uma fantasiosa descrição do desenvolvimento sexual da criança até o adulto, que, se normal, só faria sexo com o sexo oposto, o que coincide, e não é por acaso, com as normas da moral sexual do judaísmo e do tomismo.

E aí, aberta a cancela ideológica para promover o aumento da população visando o acúmulo de capital das elites dominantes, surgiram uma variedade bizarra de pesquisas, muitos vezes financiados por essas elites, sobre a causa de um sujeito, ao ser chupado por outro, chegar ao orgasmo. Qualquer irresponsável passou a dar sua versão teórica para explicar a causa de ocorrer sexo entre homens. Surgiram teorias delirantes como a influência dos hormônios pré-natais, supostas causas genéticas e outras que nunca foram de fato provadas e que são, sistematicamente, depois desmentidas por outras pesquisas. Todas elas não passam de pura ideologia inspirada em uma visão da sexualidade humana superficial, alienada, primária e oriunda das sacristias e do senso comum.

Construindo o sexo entre homens para além da repressão

A partir dessas conclusões pesquisei sobre como as outras sociedades e épocas, não influenciadas pelo tomismo, administraram o sexo entre homens, e constatei que nelas essa forma de obtenção de prazer sexual, não era proibida nem perseguida e, muitas vezes, foi incentivada. Confirmei essa descoberta, com a obra de muitos historiadores e antropólogos entre o quais Paul Veyne, K. J. Dover, Maurice Sartre, Godelier e, principalmente, com a excelente História da Homossexualidade de Wiliam Naphy, um conceituado professor e diretor no Colégio de Teologia, História e Filosofia da Universidade de Aberdeen da Escócia. Portanto, a realidade histórica, confirmada por rigorosa documentação histórica e antropológica, é que todos os povos não influenciados pelo judaísmo e o catolicismo, faziam sexo com o mesmo sexo sem problematizá-lo ou reprimi-lo. O que é censurado ou pouquíssimo divulgado é que não ocorreu esse fato só com os gregos e romanos da antiguidade clássica, mas com quase todos os povos. Grande parte dos guerreiros mais másculos, em muitos lugares e épocas diferentes, fazia sexo entre si. Entre os mais conhecidos estão os espartanos, samurais, índios de várias tribos e até os piratas. Em algumas tribos, como os Baruya, estudados por Godelier no seu livro La Production des Grands Hommes, o sexo entre um jovem e um guerreiro era um rito de passagem masculino.

Então, a cultura gay atual, com nomes como homossexual, gay e outros, é resultado de um período de alienação e repressão ao sexo entre homens. Os estudos desses guerreiros que, sendo másculos, fizeram sexo com o mesmo sexo, mostrou que os seus ensinamentos são muito úteis para orientar, atualmente, quem se relaciona sexualmente com o mesmo sexo. Quem concorda com os pontos de vista da Tradição Espartana ou Espartanismo, deve ser chamado de espartano e não de homossexual ou gay que seguem os pontos de vista sobre o sexo entre homens da cultura gay. A reação ao gayismo entre muitos homens que fazem sexo entre si é um fato e uma tendência cada vez mais frequente. E está também em pensadores como Jack Malebranche com sua crítica ao gayismo no seu excelente livro Androphilia A Manifesto, rejecting the gay identity reclaming masculinity, publicado recentemente nos Estados Unidos.

Porque o nome de Tradição Espartana, Espartanismo e, aquele que adere a esses pontos de vista ser chamado de espartano

Os espartanos, assim como todos os povos que não sofreram a influência da moral sexual judaica e católica, eram tolerantes com o sexo entre homens. Quase sempre associavam uma masculinidade guerreira ao sexo e amor entre homens. Era, portanto, uma tradição desses povos unir masculinidade e sexo entre homens. Por outro lado, Esparta criou um modelo de treinamento moral e subjetivo, além do físico, importante para a formação de homens amadurecidos e responsáveis. O termo espartano hoje nomeia também, além dos nascidos em cidades com o nome de Esparta, o homem que gosta de ser másculo e faz sexo com outro homem. E, além disso, o termo espartano usado aqui, engloba também todos os outros guerreiros de todos os outros povos que apresentavam essas mesmas características dos gregos da Grécia Clássica. O espartano atual segue essa tradição e o modelo de comportamento desses guerreiros sintetizados em um método (um bushido) para se orientar na vida.

O que percebi é que o código de ética, o treinamento subjetivo e a auto-educação desses guerreiros, para tornarem-se o melhor possível, é um caminho de desenvolvimento e orientação pessoal muito importante para os dias de hoje. Quem o praticar, e isso é a essência do que chamo de Tradição Espartana, poderá ter mais chances de se dar bem na vida. Isso se deve ao fato de que treinar para ser autodisciplinado, emocionalmente controlado, estratégico nas suas ações e honesto em todos os seus atos promove um sólido crescimento pessoal. Além disso, para complementar, deve evitar vícios, desde o fumo e drogas e ingerir muito álcool. E deve procurar se alimentar com o que é recomendado pelos estudiosos de nutrição. Esses fatores o educam para ser mais eficiente, amadurecido e subjetivamente forte. E, assim sendo, apto para enfrentar as dificuldades da vida. Portanto, a leitura dos textos e o estudo desses guerreiros, que fizeram também sexo entre si, tornam-se o melhor método para o indivíduo se orientar no mundo hostil e caótico no qual vivemos.

Com a percepção desses fatos de natureza histórica e antropológica compreendi que o que chamo de tradição espartana, e pode ser também chamado de espartanismo, contribui para criar grandes homens, amadurecidos e seguros de si. Essa é uma das suas finalidades. Essa teoria além de explicar, de uma forma científica e sensata, porque homens fazem sexo entre si visa criar uma nova espécie de indivíduos. Que, se organizados em uma fraternidade de apoio mútuo, estarão aptos a vivenciar e representar uma das melhores formas que existiu e existe de ser homem e praticar o sexo entre homens. Compreenderá, portanto, porque muitos gregos e outros povos achavam ser o sexo entre guerreiros um processo de auto-educação e uma forma superior de amar. É essa tradição, chamada a grosso modo de tradição espartana, que o espartanismo pretende resgatar.


..................................................................................................................................... Ricardo Líper

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Complementos ao Manifesto Espartano

As vantagens das relações sexuais entre homens


1 – O sexo entre homens tem a imensa vantagem de não gerar crianças que criariam despesas e compromissos com elas para o resto da vida. Não estão incluídos aí os acidentes de parto, as crianças nascidas mal formadas, os adolescentes problemáticos, drogados, inúteis ou precocemente criminosos que transformam a vida de quem os trouxe ao mundo e/ou os cria em uma grande fonte de decepções, prejuízos econômicos, desespero e angústia. Se o sujeito não se liga a ninguém todo o fruto do seu trabalho é gasto com ele. Se gosta de viajar conhecerá o mundo. Ligando-se a outro o dinheiro dos dois será gasto com eles mesmos gozando a vida com imensa tranquilidade e tendo tudo que deseja de melhor.


2 - Ambos sendo do gênero masculino, tendo o prazer de ser homens, acham o outro um sujeito fácil de se apegar, sentir uma grande amizade e, portanto, amá-lo. Existe uma grande identidade entre e eles. A amizade e o companheirismo entre homens é uma das coisas mais prazerosas e frequentes que existe em todas as culturas. Se um homem acarciando outro dá para os dois chegarem ao orgasmo somando-se a essas vantagens é um verdadeiro tesouro. Aquele que não o perceber passou por ele e não o viu porque estava coberto pelo limo da ideologia da moral sexual católica. Quando ele lima a descaracterização da sexualidade humana que essa ideologia provoca na sexualidade ele percebe o ouro e se compreender e praticar a tradição espartana faz da relação com outro homem um tesouro real para ambos.


3 – Todos os homens, quando se identificam com o gênero masculino, sentem muito prazer de conviver uns com ou outros. Agrupam-se espontaneamente e se sentem muitos felizes entre eles e com os signos, hábitos, maneira de pensar que o gênero masculino criou ao longo da história. Se for compreendida por esse ângulo, a relação sexual e amorosa entre dois homens torna-se uma extensão desse companheirismo e é, então, como estamos vendo, extremamente prazerosa e vantajosa.


4 – Durante muito tempo os homens mais másculos de todos os povos antes da cultura católica e judaica, acreditavam que transmitiam ou trocavam a masculinidade ao treinarem e fazer sexo entre si. Em muitas culturas era um dos elementos do treinamento do aprendiz de guerreiro. Tanto na Grécia Antiga, como em vários povos como os sambia e barayunas, estudados por Godelier, via-se na relação sexual de dois homens uma transmissão da masculinidade. A penetração, quando ocorria, do jovem, maior de 18 anos, era vista como uma transmissão de masculinidade. Ele ficava mais másculo ao entrar em contato com o esperma e o corpo do outro. Era como se a testosterona do outro estimulasse a sua própria. Isto era sentido fisicamente. Seu corpo se masculinizava mais em contato com o do outro e nos ensinamentos e treinamentos que ele lhe dava. Um homem aprende a ser homem é com outro homem e não com mulheres. Foi à cultura católica e depois a alienação de nossa sociedade que esqueceram e/ou censuraram esse aspecto do sexo entre homens. Muitas vezes vinculado aos deuses demonstrado no episódio de Apolo e Jacinto, Zeus e Ganimedes e dos heróis e guerreiros do passado. Criou-se então o mito que um homem deitar com outro homem os dois ou um deles vira mulher. Assim sendo essa ideologia, passando a fazer parte da cultura gay ou homossexual, fez os adeptos do gayismo perderam essa grande força e eficiente herança de nossos ancestrais. A tradição espartana é o retorno a essa herança.


As 5 desvantagens do heterossexualismo


1 – Embora a relação entre pessoas de sexo diferentes seja mostrada como uma coisa natural, em se tratando do ser humano, não é. Ela, como é praticada nas sociedades influenciadas pela moral sexual católica, é imposta artificialmente aos homens. Portanto, sendo uma ideologia, uma moral sexual e não uma coisa natural do ser humano aqui se chama heterossexualismo. O fundamento biológico do que está aqui dito está no segundo item dos 10 Princípios Espartanos.
2 – Sendo uma programação sexual imposta pela moral sexual católica ela limita os prazeres sexuais possíveis para o individuo desfrutar. A rigor ele só pode relacionar-se sexualmente, isto é, apenas enfiar seu pênis em uma vagina de uma jovem não parente próxima, se possível com pouca diferença de idade da dele. Por trás desse preceito da moral católica e do ensinamento social da conduta sexual tida como correta, está o interesse da elites dominantes de aumentar ou manter a oferta de mão-de-obra para acumular capital. Releia o item 3 dos 10 Princípios Espartanos. Logo está descartado um natural e suposto desejo nascido ou adquirido por ele, unicamente, por esse objeto sexual descrito como correto. Na realidade ele é programado pela ideologia da moral sexual católica e se acomoda com o que a sociedade exige dele com pavor de ser estigmatizado socialmente se não o fizer sendo chamado de veado por isso.


3 - A finalidade do sexo entre pessoas de sexo diferente é gerar crianças. O individuo pode, se ainda solteiro, fazer alguns treinamentos sexuais não se comprometendo, entretanto, mais cedo ou mais tarde todos cobram que se case. Em um homem já solteiro de 30 anos as cobranças e a pressão aumentam. Todos querem que ele tenha uma profissão e um emprego sólido para poder se casar, fazer filhos e manter a esposa e os filhos. Isto é, fabricar e criar a mão-de-obra com seu dinheiro e esforço. Esse destino rígido é imposto com violenta pressão para todos os homens. Ai daquele que não se conformar com isso. É ameaçado de todos as formas. As pressões psicológicas são imensas. Suspeitas sobre sua masculinidade (aí vista, apenas, como penetrar mulheres) e sobre sua potência sexual. Cobranças e mais cobranças, com mães e pais preocupadas, vizinhos mexeriqueiros etc. Não é raro muitos deles se precipitarem e fazerem casamentos mais desastrosos. Uma vez cumprido o destino social de zangão já, em sua casa, trabalhando de morrer para manter filhos e mulher, todos lhe abandonam. Não ligam mais para ele. O deixam em paz. Ele fica com a infeliz, também martirizada por crianças, às vezes superativas, onde o desejo sexual muita vez decaiu nos dois. Essa vida miserável se limita a lutar para ganharem dinheiro e seguir o ritual de preparar a os filhos para eles entrarem no mercado de trabalho. Daí, as despesas com as escolas, o medo das drogas ou qualquer coisa que os impeça deles se tornarem uma mão- de-obra útil. A maior preocupação de todos os pais é que os filhos estudem, se formem e consigam um bom emprego para se casarem e terem um casal de filhos. Viver esse papel de pai-de-família é uma tortura sem fim. Muitos homens dão para beber, espancam as mulheres sem saber porque ou as torturam psicologicamente e vice-versa; ficam impotentes ou perdem o interesse por sexo ficando assexuados que é o destino de muitos desses zangões. Essa é a essência da infelicidade dos casamentos promovidos pelo heterossexualismo. Se arranja uma amante para poder fazer sexo quando o sexo no casamento que já não existe ou não dá nenhum prazer, precisa ter dinheiro e enfrentar a pressão de todos porque desvia o dinheiro da manutenção da casa e dos filhos. Se tem outras famílias é pior porque tem de trabalhar mais para mantê-los com todos os dramas oriundos dessa escolha. Enfim é a infelicidade resultado da alienação social e sexual. Nas leis brasileiras, em caso de morte, a amásia, como se dizia antigamente, tem direito de casada para manter os filhos leia-se a futura mão-de-obra.


4 – Aí a ideologia da moral sexual católica diz que os filhos cuidarão dos pais na velhice. Mentira. Pode ser, mas não é a regra. A família é implosiva. Quer dizer, se cria os filhos para se ficar só porque eles devem sair de casa e fazerem novas famílias para gerar e criar nova mão-de-obra. Só ficam em casa os filhos incapazes e doentes. Logo, na velhice, os pais ficarão sozinhos. Ocorrem aí duas coisas. Se os filhos forem inúteis e não gerarem rendas vão viver explorando os país para manter a programação sexual (terem se casado e ter feitos filhos) imposta pela sociedade. Daí os pais vão criar os netos e só não criarão os bisnetos, com seu dinheiro e esforço, porque a natureza, ao matá-los, os libertarão desse encargo. Se forem ricos os filhos muitas vezes desejam sua morte para administrarem e se matarem nas disputas pela fortuna com irmãos e cunhadas interesseiras. Outro comportamento é exceção à regra. Nunca vi uma cunhada abrir mão de muito dinheiro para outra desfrutar a fortuna do sogro.


5 – No período da vida que os pais mais precisam de carinho, cuidados que é a fragilidade da velhice eles estão muito ocupados em criar os filhos e os pais são um estovo. Quando moram com eles são ridicularizados, maltratados por sogras e parentes da mulher ou vice- versa. Quando moram sós as visitas, dos apressados filhos, são cada vez mais espaçadas. E tem os asilos... Um filme que retratou muito bem isso é Parente é Serpente. Excelente para ser visto na época do Natal... E os que se conscientizaram da imensa diversidade de prazeres sexuais possíveis para os homens e tiveram coragem de desobedecerem as elites dominantes podem estar naquele cruzeiro para Europa ou o Oriente com seus amigos, em uma festa na sua cabine, todos mundo cantando e tirando a roupa... Ou só com o seu amante. E, depois, Tahiti e mais sexo, gargalhadas, festas.... Ou uma vida menos agitada, a depender do gosto de cada um, ao lado de um outro guerreiro, companheiro e/ou de irmãos da fraternidade espartana que é uma espécie de maçonaria e uma família verdadeira.

Bibliografia Inicial Básica

Reúna-se com pessoas interessadas em tomar consciência do que é praticar relações sexuais com o mesmo sexo. Leia o nosso manifesto e os nossos fundamentos e faça um grupo de estudo sobre os livros abaixo. Veja e discuta os filmes recomendados.


Existem três livros que precisam ser lidos, relidos e estudados em grupo ou individualmente. São fundamentais para a formação da consciência sobre o que é são as relações sexuais entre homens. A vida não poupa os negligentes. Nunca se esqueça disso. Não tenha preguiça de estudar, de ler e aja formando um grupo confiável de amigos para enfrentarem juntos as adversidades.


Existe uma História da Homossexualidade de William Naphy que precisa ser lida. Não deixe de ler esse livro. É a história do sexo entre homens baseada nos documentos históricos que escaparam do fogo da inquisição. Eles nos fornecem a verdade. Foi editado pelas edições 70 de Portugal.


O outro livro básico é : A Invenção da Heterossexualidade de Jonathan Ned Katz. Ediouro.1966. Não achando nas livrarias uma sugestão de onde procurá-lo é www.estantevirtual.com.br.


Outro livro que não pode deixar de ser lido é Homossexualidade: uma História. Colin Spencer – Editora Record. Procure na estantevirtual porque consta está esgotado.


A Homossexualidade na Grécia Antiga de Kenneth J. Dover. Nova Alexandria. Relançado recentemente. Não deixe de comprar e ler.


Os textos dos guerreiros para você aprender e desenvolver estratégias de conduta e ética


A leitura desses textos deve ser feita com senso crítico. Deve-se descontar as características de cada cultura e as especificidades históricas. O que se procura neles é a sua essência. Isto é, os princípios morais, as estratégias de batalhas e lutas que podem ser adaptadas as lutas e batalhas que temos de travar para sobreviver em uma sociedade predadora e doentia e uma natureza hostil e cruel.

Livros

Hagakure. Yamamoto Tsunetomo. Conrad Livros

Hagakure. Yukio Mishima. Editora Rocco

Bushido. O Código do Samurai. Daidoji Yuzan. Editora Madras

Esses livros sobre o pensamento dos samurais são versões e resumos do original. Entretanto é um bom início para o estudo do pensamento desses guerreiros japoneses. Pode ser completado com outras obras sobre o Japão. Sugiro: Morte Voluntária no Japão. Maurice Pinguet. Editora Rocco A Vida e Obra de Mishima. Henry Scott Stokes. Editora L&PM

Sobre estratégia militar A Arte da Guerra. Sun Tzu. James Clavell. Editora Rocco.

A Arte da Guerra. Sun Tzu. Thomas Cleary. Editora Pensamento.

Existem várias versões deste livro. Deve-se comparar e estudar todas elas.

O Livro dos 5 anéis. Myamoto Musashi. Editora Madras.

O Livro da Ordem da Cavalaria. Ramon Llull. Editora Giordano.

Da Guerra. Carl von Clausewitz. Martins Fontes.

Filmes
O Segredo de Brokeback Montain – Obrigatório. Quem não tem o DVD para assistir periodicamente está vacilando.

Alexander de Oliver Stone. Grande filme crucificado pela crítica conservadora e homofóbica norte-americana porque o diretor é muito crítico em relação aos Estados Unidos. Embora tímido, o filme procura ser verdadeiro em relação ao sexo entre homens. Não deixe de ver os comentários do historiador no DVD. A versão do diretor corta as cenas de afeição amorosa entre Alexandre e Herfestion.

Tabu (Gohatto) Direção de Nagisa Oshima. De forma pioneira aborda a verdade histórica que era a freqüência do sexo entre os samurais.

Furyo - Em Nome da Honra (Merry Christmas, Mr. Lawrence) Direção de Nagisa Oshima.

Filmes que, embora sem o conteúdo especificamente espartano, mostram uma realidade pré-espartana.

Maurice (Maurice) 1986. Inglaterra. Direção de James Ivory. Com James Wilby, Hugh Grant, Rubert Graves. Baseada em obra do escritor M. E. Foster possivelmente autobiográfica. Já existe em DVD.

Uma Delicada Atração (Beautiful Thing) 1996. Direção de Hettie MacDonald. Com um elenco desconhecido com grandes interpretações principalmente dos jovens que se apaixonam um pelo outro. Só em VHS

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